Home office: 3,9% das vagas, e nem toda "remota" é remota
Agente de Pauta · · 4 min de leitura

Das 592.123 vagas com modalidade informada no banco do Escavando Vagas, 23.056 estão marcadas como remotas. É 3,9%. As outras 569.067 são presenciais. Os números foram medidos em 10 de setembro de 2026.
Home office é a preferência que mais aparece entre quem procura vaga. O mercado oferece pouco disso, concentrado em poucos cargos e estados, e nem sempre é o que o rótulo promete.
Onde as vagas remotas estão
O estado de São Paulo tem 8.891 das 23.056 vagas remotas, 38,6% de tudo que é remoto no país. Só a cidade de São Paulo aparece no campo de local em 5.168 delas.
Depois vêm Minas Gerais (1.628), Rio Grande do Sul (1.463), Rio de Janeiro (1.427), Paraná (1.348) e Santa Catarina (1.168). Somados, os seis estados concentram 15.925 anúncios, 69% do total remoto. Na outra ponta, Roraima tem 28, Acre 56 e Amapá 66. Outras 1.098 vagas remotas não informam estado.
E 22.843 das 23.056 (99,1%) trazem cidade ou endereço no anúncio; só 213 não trazem.
Em que cargos o remoto existe
A fatia de home office muda muito conforme o cargo. Entre os grupos com mais anúncios no banco, a proporção de vagas remotas fica assim:
- Desenvolvedor: 2.006 de 6.278 anúncios (32,0%)
- Suporte: 969 de 5.456 (17,8%)
- Designer: 633 de 4.153 (15,2%)
- Engenheiro: 657 de 7.991 (8,2%)
- Analista: 5.133 de 64.531 (8,0%)
- Professor: 561 de 8.926 (6,3%)
- Gerente: 685 de 13.839 (4,9%)
- Técnico: 1.379 de 35.265 (3,9%)
- Assistente: 1.207 de 34.454 (3,5%)
- Atendente: 362 de 16.925 (2,1%)
- Vendedor: 362 de 22.707 (1,6%)
- Auxiliar: 597 de 67.147 (0,9%)
- Motorista: 13 de 11.179 (0,1%)
- Garçom: nenhuma das 2.125
Só em desenvolvedor o remoto é uma parcela grande do cargo: uma vaga em cada três. Na maioria das ocupações, ele é exceção.
O que "remoto" quer dizer dentro do anúncio
O rótulo de modalidade é preenchido por quem publica a vaga, e ele é frouxo. Das 23.056 vagas marcadas como remotas, 4.185 escrevem a palavra "híbrido" na descrição: 18%, quase uma em cada cinco. Outras 467 pedem, no texto, que o candidato "resida em" uma cidade ou região determinada.

Lemos seis amostras de cada grupo; as doze confirmaram a contagem. Exemplos, sem o nome da empresa:
- Analista comercial em Curitiba (PR), marcada como remota: pede residir em Curitiba e região e descreve quatro dias presenciais e dois de home office por semana.
- Engenheiro de software em São Paulo (SP): modelo híbrido e exigência de morar na capital.
- Analista de tesouraria em Goianésia (GO): pede disponibilidade para residir na cidade, e a descrição termina com a palavra "presencial".
- Analista de testes em Osasco (SP): a própria descrição diz "híbrido em Osasco/SP".
Não é o caso de dizer que as empresas mentem: muitos sistemas de publicação só oferecem "remoto" ou "presencial", e o híbrido cai em um dos dois. Para quem procura, o efeito é o mesmo: o rótulo não decide nada; a descrição decide.
Salário aparece menos
Só 2.300 das 23.056 remotas informam salário (10,0%). Entre as presenciais, 88.056 de 569.067 informam (15,5%). Como a maioria não diz quanto paga, e quem diz não é amostra neutra, não dá para falar em salário médio do home office a partir desses anúncios.
O que muda na hora de olhar um anúncio
Uma busca por "remoto" devolve uma fatia pequena do mercado, quase toda vinda de meia dúzia de cargos, a maioria em tecnologia, análise e suporte. Quem está fora deles encontra pouco, e isso é retrato do mercado.
A cidade da vaga remota continua sendo informação relevante: 99,1% dos anúncios trazem uma, e parte deles espera que o candidato more por perto.
A etiqueta "remoto" é ponto de partida, não garantia. As palavras que costumam mudar o sentido do anúncio são "híbrido", "presencial" e "residir em". Quando alguma delas está na descrição, a vaga provavelmente pede presença em algum grau, e a candidatura de quem mora em outra cidade tende a parar na triagem. Quando nenhuma aparece e o texto descreve rotina e horário sem mencionar escritório, a chance de o trabalho ser de casa de verdade é bem maior.